quinta-feira, 17 de março de 2011

A importância da postura na corrida !

      Muitos não dão importância necessária a postura no desporto.No entanto, alguns estudos têm demonstrado a importância da postura na corrida para um bom desempenho do atleta. Isto é fato de suma importância no treinamento, pois a postura pode fornecer vantagens e desvantagens definitivas em alguns esportes, inclusive sendo fator crucial para a auto-seleção em muitas modalidades (BLOOMFIELD, 2000).

Uma boa postura, tanto estática quanto dinâmica são importantes para o funcionamento do corpo trazendo economia de esforço. Uma má postura durante a prática desportiva pode levar um indivíduo bem treinado a maior fadiga e tensão muscular em algumas estruturas do corpo. Este tipo de postura torna mais difícil e eficiente a manutenção do equilíbrio sobre a base de apoio, fazendo com que determinados grupamentos musculares permaneçam em constante tensão enquanto outros são encurtados.

Segundo Bloomfield (2000), a vantagem que um atleta possui em ter uma postura adequada em seu desporto, é que ocorre um menor gasto energético quando a linha vertical da gravidade está sobre a coluna vertebral. Desta forma, o corpo não tem que ficar ajustando continuamente sua posição para conter as forças da gravidade. Ou seja, desta forma é funcional e econômico manter uma boa postura.




Na figura vemos que o primeiro modelo demonstra um indivíduo com uma postura correta, uma linha vertical passa através da porção anterior da orelha e através de cada articulação da extremidade inferior. No segundo modelo vemos um corpo divergindo em seu alinhamento vertical. Desta forma o peso deve ser contrabalançado pela divergência de outro segmento na direção oposta. Há também severo "genu recurvato" nos segmentos inferiores.

Fonte: Bloomfield (2000, p.187)











Num excelente trabalho de Ross et al. (1988) com corredores lesionados, fora constatado que 40% deles tinham grande variedade de desvios posturais, debilidades, desequilíbrios musculares e diminuição da flexibilidade (derivados da má-postura). Os problemas de mal-alinhamento envolvidos neste estudo foram os seguintes:

1 - Pés pronados ou planos, causando excessiva pronação nas corridas.

2 - Mal alinhamento dos pés e das pernas durante o ciclo de corrida.

3 - Corredores com pés planos desenvolviam maior depressão do arco longitudinal sem eversão, enquanto os que tinham arcos cavos (pé plano) sofriam de mais lesões ao movimento excessivo da articulação subtalar.

4 - Indivíduos com um largo ângulo Q (medida obtida conectando-se o ponto central da patela à espinha ilíaca súpero-anterior e à tuberosidade da tíbia) ou genu valgo (joelhos em X), apresentavam lesões da articulação patelo-femural e da própria patela. Atletas com genu varo (pernas de arco) também apresentavam disposição para lesões na região patelar, bem como síndrome da banda íleotibial.

5 - Atletas que apresentavam discrepância de comprimento nos membros inferiores (acompanhados por inclinação pélvica), desenvolveram bursite trocantérica e síndrome da banda íleotibial. Além disso, fora constatado que ocorreu compressão intervertebral no lado côncavo da curvatura lombar lateral. Ross et al (1988)

Obviamente nem todos os praticantes de corridas de longa distância possuem características biomecânicas totalmente favoráveis à prática da corrida. Cada indivíduo possui comprimentos ósseos, articulares e musculares bem específicos.
O mais importante é o professor de educação física adaptar o gesto motor deste indivíduo, potencializando o que ele tem de melhor e minimizando ou corrigindo problemas derivados de uma má postura na corrida. Lesões como as citadas no trabalho de Ross et al. (1998), podem ser evitadas com avaliações minuciosas da postura, buscando assim corrigir ou minimizar esses problemas.

De acordo com Gerhardt (2007), a postura ideal para corredores de longa distância seria a seguinte:

•Tronco (além de estar fixado), deve estar ligeiramente inclinado para frente. Dessa forma o centro de gravidade do atleta será deslocado para frente.

•A cabeça deve acompanhar o tronco, mantendo o queixo num ângulo de 90º em relação ao corpo. Para manter esta posição recomenda-se olhar para o horizonte durante a corrida.

•Os braços devem ficar paralelos ao corpo, com os cotovelos num ângulo também de 90º. As mãos devem passar na altura da crista ilíaca. O movimento ideal dos braços eleva as mãos na altura do peito, com angulação voltada para o osso esterno.

•Evitar fazer rotação excessiva das pernas (pés apontados para dentro ou pra fora). Esses movimentos podem causar entorses e lesões nas articulações, principalmente no joelho.

Postura ideal durante a corrida.

Fonte: Gerhdart (2007, p.64).

Para detectar alterações posturais, ortopedistas, fisioterapeutas e professores de educação física recorrem a observação clínica e o uso do raio-x. Porém, ele pode se tornar impreciso se for necessário avaliações mais minuciosas.

Hoje com o avanço dos estudos e da tecnologia podemos avaliar mais precisamente a postura ideal para a corrida. A fisioterapia com técnicas de RPG (Reeducação Postural Global) e a quiropraxia, além da própria avaliação visual do professor podem vir a resolver o problema dependendo do caso.

Existe hoje um exame chamado baropodometria. Trata-se de sensores ligados a palmilha dos tênis que podem analisar os pontos de pressão exercidos pelo corpo na planta do pé quando se está em movimento ou parado. Desta forma pode-se determinar não só o tipo de pisada (pronação, supinação ou neutra), como também as oscilações posturais durante a marcha. No entanto ele é um exame relativamente caro, não coberto pelos planos de saúde e restrito a poucos profissionais.


Referências Bibliográficas:

BLOMMFIELD, J. Postura e proporcionalidade no esporte. (2000) in Treinamento no esporte: aplicando ciência no treinamento. ELLIOT, Bruce & MESTER, Joaquim. Guarulhos, SP: Phorte Editora, 2000.

GERHDART, R. Muito além da coluna reta. Resvista O². São Paulo:Editora Esfera Br Mídia.v. 1, nº 48, p. 62-64, 2007.

ROSS, W. DE ROSE, E. WARD, R. Anthropometry applied to sports medicine.(1998) in The Olimpic Book of Sports Medicine 1 (Eds. DIRIX, A. KNUTTGEN, H TITTLE, K.), p. 233-265, Blackwell Scientific Publicatios, Oxford, 2000.

Matéria publicada no site www.educaçãofisica.com.br por Davi Lopes de Barros

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